quarta-feira, agosto 09, 2006

O que é o tempo?

Quando damos à costa terrena, por entre as inundáveis águas vertidas, damos inicio à contagem do tempo da nossa existência. Mas antes de nós já o tempo era contado. Depois de nós o tempo continuará a ser contado. Não tem início nem fim. É esta uma das maravilhas de Deus. Ao longo do tempo são amados, gerados e vividos infindáveis números de seres que com o passamento eterno dão prioridade a que outros façam a contagem do tempo.
Quando mal nos apercebemos… já passou… O que fazer? Nada. Não volta a trás… E ficará como ficou, nada se pode mudar. Ou talvez não. Talvez possa alimentar novas decisões para que os mesmos erros não sejam cometidos ou para que novas direcções sejam percorridas com maior segurança e perseverança.
Vivemos sem nos apercebermos que o tempo não volta a trás e só mais tarde é que damos conta disso, quando abrimos os baús da nossa existência. Baús reais e físicos e baús interiores e íntimos. Todos eles cheios de recordações, lembranças, boas e menos boas, que nos fazem regressar ao passado que já não é presente, que nos fazem lembrar cheiros e sabores de outros tempos, que nos fazem parecer mais novos… Mas tudo já faz parte da História e das inúmeras estórias que perfazem em conjunto a vida ou o tempo da nossa vida.
Damo-nos conta que afinal o tempo passa e não volta a trás. Para que permaneça em memória é necessário dar-mos algo de nós mesmos, é necessário sabermos viver esse tempo com realidade, consciência, maturidade, arriscando muitas vezes o impossível para que se torne acessível.
Há alturas no decorrer da nossa vida terrena que nos faz pensar nisto de forma a nos ajudar a amadurecer o futuro, para que não se dê demasiada importância a certos pormenores e menos a outros. Ajuda-nos a escolher com muito mais liberdade o caminho que pretendemos percorrer.
Abrir os baús da memória, retirar e guardar os momentos positivos e reaprender com os momentos menos bons (à nossa percepção), pode-se tornar num elixir que nos vai ajudar a acreditar que temos os pés bem assentes no Mundo, a valorizar os verdadeiros valores da vida e a perceber que existe Alguém que nunca nos abandona, que nos acolhe de braços abertos e nos manda fazer uma festa à nossa chegada e que nos pega ao colo quando caímos nas tentações e nas dificuldades da vida. Para muitos de nós esse Alguém é Deus que está sempre connosco. É nisto que devemos acreditar para que o nosso tempo seja contado com sabedoria e inteligência.
Cada momento que passa não volta mais, mas pode tornar-se uma eternidade… basta cada ser humano assim o pretender. Cabe a cada um descobrir como.

segunda-feira, julho 24, 2006

O grande mistério da vida…

Quantas vezes se escolhem caminhos e se tropeça durante o percurso? Quantas vezes se cai e o levantar para a vida parece que surge ao fundo de um túnel, inacessível e incompleto? Alguém disse que não importa tropeçar nem cair, só importa o tempo que se demora a levantar e voltar a andar. Voltar a andar num caminho verdadeiro e justo, no qual se dá tudo por aquele que se ama. Atrevermo-nos a dar um passo neste sentido permite-nos uma descoberta de generosidade pelo outro, assumindo o que é importante e verdadeiro, e sempre que o conseguimos fazer ganhamos em liberdade interior, em confiança, em realização pessoal e em coragem. Deste modo, com prudência e ponderação, vive-se um encontro verdadeiro, percebendo que cada indivíduo, criatura de Deus, é único, com limitações, com percursos e tempos próprios de amadurecimento.
Estar em coligação intrínseca com o outro é estar em sintonia com o Criador. Cada ano da nossa vida, cada mês, cada semana, cada dia, cada hora, cada intervalo de tempo mínimo a tender para o nulo, pode dissolver-se nesse mesmo instante e aquele momento que se tentava tornar único eclipsa no universo como que num buraco negro sem retorno nem memória.
Mas se realmente nos encontramos com o verdadeiro sentido da vida, o da dádiva na alegria do ressuscitado, o da dádiva gratuita ao outro, à vida e ao criador, esse encontro torna-se verdadeiro, dissolve-se o superficial e o que é importante permanece, oferecendo-nos autênticas memórias verdadeiras.
Neste contexto, o que está para trás não é um passado esquecido, mas um conjunto de telas, harmonia das nações, que constantemente suportam o presente, a mais bela dádiva de Deus a cada um dos Homens ao rair do Sol, que brota sobre a noite escuro de sonhos únicos, com cheiros e sabores, que surgem do nada, inesperadamente, quando circulamos pelo passado no presente.
O tempo não passa nem termina. O tempo vai-se transformando, dando a possibilidade de se fazerem leituras dos seus sinais àqueles que são verdadeiros e justos, àqueles que se preocupam com o grande mistério da vida.
Nunca se diga que acabou, mas exploremos no mais fundo da nossa consciência o que ainda falta propor para transformar a vida e actualizar o nosso eu perante as necessidades actuais.
Perante os encontros verdadeiros, necessários para nos continuarem a trazer memórias reais, sonhos com cheios e sabores, fotografias únicas da vida, devemos ter uma postura ponderada e prudente e não lamentarmos que caímos, mas dar-mos importância ao tempo que demoramos a levantarmo-nos e a voltamo-nos a andar. As quedas ajudam-nos se não ficarmos estanques a olhar para um passado que se torna distante e vazio.
Levanta-te, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.
Levanta-te, sorri todas as auroras ao Sol que se levanta.
Levanta-te, corre em direcção ao futuro, sobre o presente único de cada momento fortalecido pela memória verdadeira e constante dos momentos imediatamente anteriores que só se tornam verdadeiros se forem vividos com dedicação, prudência e ponderação.
Levanta-te e vê a alegria do grande mistério da vida que teve um princípio mas não tem fim.
Levanta-te e vê a alegria que vem do teu Deus.

sábado, junho 10, 2006

Vens ou Ficas?

Uma brisa suave depressa se torna num vento forte que desencadeia num turbilhão de encontros e desencontros, de pensamentos e de memórias.
A árvore de grande porte balança as suas pesadas hastes dizendo ao mundo que é forte e que está penetrada no Mundo, com raiz segura e confiante. Induz ao conhecimento da matéria e contrasta com a ramagem fina e delicada de um arbusto em crescimento, que em céleres movimentos, deixa o vento forte fazer dela o que bem entender.
Alguém, uma criatura do divino, perdida numa biblioteca qualquer, deambula de estante em estante, num scriptorium onde não há copistas e onde a empresa principal não está associada à tarefa complexa e exigente de copiar códices. Uma criatura com o simples desejo de manusear e encontrar-se com a maravilhosa face do texto e da imagem, apenas quer ler, quer que os seus olhos brilhem com a cor e a textura, quer que o seu olfacto capte o perfume do novo e do desconhecido.
A brisa suave que depressa se tornou num vento forte galga a Terra e enche de paz todas as criaturas. Que belo encontro entre o Criador, a Natureza e o Homem. Surgem memórias de outros tempos, de outros encontros, de momentos em que apenas bastava um olhar ou um beijo… de momentos em que mais parecia haver desencontros com a vida e os seus protagonistas… de momentos que não voltam mais e permanecerão pela eternidade.
O cheiro da brisa suave que se tornara no vento forte do Espírito indica o caminho para o verdadeiro, para o simples, para o continuado, para uma presença viva e eficaz de um encontro perene de Deus com os Homens.
“Para que estais a olhar para o Céu?” Porque olhais para o alto e não para as coisas simples e concretas da vida? O desejo é que surja pelo mundo a possibilidade de criar e ir ao encontro do outro.
Numa biblioteca qualquer, num scriptorium onde não há copistas, uma criatura de Deus apenas quer obter um singelo livro. Mas a vida só lhe tem proporcionado desencontros e o que é vulgar para muitos torna-se no objecto mais apetecível para ele. “Para que estais a olhar para o céu?” Olhai para as coisas do Mundo e proporcionai encontros que se tornem eficazes e criem no outro a sensibilidade e a pureza. Proporcionem encontros verdadeiros de modo a fazer crescer a ramagem fina e delicada e a torna-la numa árvore de grande porte, robusta e com as raízes bem assentes no Mundo.
A desmedida biblioteca da vida está ao alcance de todos. Um singelo livro faz parte de um encontro qualquer, numa situação qualquer, com a vida e o outro, onde cada qual é um poço de informação e de cultura, de formação e de fé. Muitos procuram e não encontram. Outros encontram sem procurar. Mas também surgem aqueles que não sabem que têm de procurar para encontrar.
A vida é uma constante procura, na qual se encontra e desencontra quem já cresceu e se tornou numa árvore de grande porte e quem ainda é um arbusto em crescimento. Estender a mão num acto contínuo e simples é um desafio e uma obrigação para todos os Homens de boa vontade.
“Para que estais a olhar para o Céu?” Ide em frente, caminhai, fazei com que os outros sintam a vida apetecível e cogitem no mais profundo do ser: "Como é belo viver neste Mundo criando por Deus". Vens ou ficas? Ficas estagnado a olhar para o céu ou partes à aventura tornando-te no Cristo continuado na Terra, que olha para os mais pequenos e lhes dá uma mão?

segunda-feira, abril 10, 2006

“uma passagem para aquilo que não passa”

Uma reflexão sobre o desconhecido e os encontros possíveis com ele. Uma passagem para outra dimensão onde o material e o espiritual se encontram numa encruzilhada repleta de simbolismo, de união, de sentido…
A história ou as estórias de alguém podem marcar e impressionar e fazer de um encontro um perfeito desencontro onde cada qual se mostra disponível ou apenas um deles esta disposto a dar-se inteiramente para que o outro se salve.
Mas a História é apenas um marco sobre o qual se dizem, cantam, pintam, esculpem… ideias e pensamentos, ou sobre o qual se iniciam uma era. Factos históricos facilmente são provados como verdadeiros.
Uma outra situação de encontro ou desencontro já é o facto de querermos acreditar na História tal como ela é ou como os Homens a contam. Ser fidedigno e crente pela fé é preciso haver uma preocupação intrínseca com a intensidade com que se acredita. Para despertar e fazer crescer uma fé existencial é necessário irmos ao encontro de Deus e de um dom que não é fruto do nosso querer. Pela fé é possível encontrar um sentido para aquilo que acontece no mundo exterior como quando o Sol se levanta todas as manhãs, transpondo para a nossa vida o Sol que é Cristo e se eleva em cada um de nós. Um encontro com Deus deve despertar no mais íntimo de nós mesmos a fé, a esperança e o amor numa humanidade nova.
Santo Agostinho escreve: «Através da Paixão o Senhor passou da morte para a vida, abrindo o caminho para nós, se crermos na ressurreição, para passar também nós da morte para a vida». E é este facto que tem uma incidência histórica se torna, pela fé, um caminho e encontro para as virtudes da vida, como formula São Gregório Magno.
Aplicada à Páscoa, a leitura moral tem sobre si uma influência prática na vida de cada homem e de cada mulher. «O crente deve examinar a casa interior do seu coração, para destruir tudo aquilo que pertence ao velho regime do pecado e da corrupção» (Raniero Cantalamessa).
Uma limpeza pascal vai de encontro a uma actuação concreta para deitar fora os odres velhos e construir odres novos. A ideia de passagem associada à Páscoa está ligada a uma passagem sobre a vida de cada um, uma passagem através da vida de cada um, a uma passagem para fora da vida de cada um ao encontro do outro que nos completa, a uma passagem para diante.
Depois de um olhar histórico, de um encontro pela fé, devemos encontrar a passagem para as coisas do alto e descobrir uma vivência vertical da Páscoa “passando do mundo, para não passar com o mundo” (Santo Agostinho). «Em Cristo a nossa mente encontra a verdade e a beleza que não terminará nunca de contemplar, e o nosso coração encontrará o bem do qual jamais se cansará de gozar.» (Raniero Cantalamessa).
Lendo e meditando um pequeno livro de Raniero Cantalamessa, Páscoa, uma passagem para aquilo que não passa, descobrimos o seguinte dístico latino: “A letra ensina-te o acontecimento. A alegoria, aquilo que deves crer. A moral, o que fazer. A anagogia, para onde ir” e o autor explora-o dando-lhe um sentido inserido na Páscoa de Jesus.
Primeiro interpreta uma dimensão histórica da Páscoa, indo ao encontro da letra que deve ser examinada quer no Êxodo (Páscoa dos Judeus), quer nas narrativas evangélicas da Paixão e Ressurreição de Cristo (Páscoa Cristã).
Em segundo lugar medita o sentido espiritual procurando o mistério no qual acreditar preocupando-se com a intensidade com que se crê. Uma alegoria deve indicar um facto real ou uma verdade parcial que tende à sua realização futura.
Num terceiro capítulo encontramos o nível da moral, que procura extrair da Páscoa ensinamentos práticos para a vida e para os costumes.
A terminar a interpretação do dístico latino, encontramos a anagogia, ou seja, o movimento ou impulso para o alto, subida, ascensão, no qual encontramos uma força extrínseca que se torna intrínseca e nos enche para acreditarmos que quando subirmos à verdadeira «sala de cima», onde se celebra a Páscoa eterna, será seguro que virão espontaneamente aos lábios duas palavras: Totaliter aliter! É totalmente diferente. Infinitamente mais do que aquilo que se possa imaginar (Raniero Cantalamessa).
Este pequeno livro, que aconselho para reflexão da verdadeira Páscoa, que é encontro com Cristo, connosco mesmos e com os outros, segue um caminho novo e diferente, sugerido pela doutrina tradicional da Escritura, nos seus quatro sentidos: histórico, cristológico, moral e escatológico.
O encontro com Cristo, Espectro da Noite, não como uma representação assustadora, mas como resultado da decomposição da luz complexa da Ressurreição, ocorrida num espaço de tempo entre o ocaso e o nascer do Sol, deve ser para nós a vivência da verdadeira Páscoa. Encontro da vida com a vida. Da luz com a luz, na qual as trevas ficam eliminadas para sempre e um nascer do Sol se torna perpétuo e permanece no coração do Homem.

sábado, fevereiro 25, 2006

A Fé de um Povo… de um País… do Mundo Inteiro!

È impressionante! Uma nação inteira, que se identifica como laica, ter a oportunidade de três canais de televisão, um do estado laico e sem religião, e dois independentes, várias rádios e diversos meios de comunicação social escritos, fazerem de um dia normal de Domingo, chuvoso e frio, um dia dedicado inteiramente a Fé Católica.
A Igreja Católica não precisa de se afirmar colocando grandes outdoors, fazendo publicidade dispendiosa na televisão ou tentar oferecer algo para “vender um produto”. Basta um acontecimento singelo, como a transladação de um corpo de uma mulher simples, para que toda a sociedade indague sobre o assunto e veja a programação de Domingo toda alterada a dar ênfase a uma transmissão única de celebrações religiosas católicas, com depoimentos de figuras publicas dos mais diversos quadrantes sociais.
Mas se é impressionante participar através da televisão a estas imagens, mais íntimo e grandioso é poder estar in loco, sentir as pessoas, as suas manifestações, os seus apelos… pessoas que rezam, choram… querem chegar perto, tocar, beijar, deitar flores… as pessoas simples, anónimas, do povo, que acreditam, que têm a certeza que tudo a que assistem é parte de um milagre que é a vida e que é a manifestação do próprio Deus ao Mundo.
Para se ser cristão e católico não é dogma de fé a experiência vivida em Fátima por três crianças. No entanto passar por aquele lugar, onde desde há noventa anos milhares de pessoas peregrinam à procura de uma cura, de um milagre ou para dar graças a Deus e à Virgem Maria por graças concedidas, é um oportunidade de experimentar uma fé mística, simples e ao mesmo tempo grandiosa.
Fátima é um lugar de oração onde a paz impera e o silêncio convida à capacidade de interceptarmos o stress do dia-a-dia com uma lufada de ar fresco que nos dá oxigénio para respirarmos um mundo melhor.
A mensagem de Fátima é principalmente um convite à oração, à capacidade de sermos homens e mulheres melhores, ao reconhecimento de nós mesmos e das nossas falhas. As três crianças foram a forma mais simples de esta mensagem chegar até nós com uma linguagem acessível e pura como é a dos pequeninos, pois é deles o Reino dos Céus.
A irmã Lúcia, uma das videntes, viveu e contou inúmeras vezes como quão belo foi aquele momento. Viveu na clausura mas esteve sempre perto de todos pela oração. E, assim como todos os humanos, teve o seu tempo de peregrinação entre nós, cumpriu a sua missão e Deus chamou-a para junto d’Ele e da Virgem Maria.
Passados poucos dias de completar um ano de partir para junto de Deus, a Igreja translada os seus restos mortais, as suas relíquias, para aquele local maravilhoso que tantas vezes calcorreou e brincou, entre vales e serras, e onde teve a oportunidade de ter a graça da visão de Nossa Senhora e onde pode repousar junto dos seus primos e perto de todos os que por lá passam à procura de um destino, de certezas, de encontros e de desencontros, de paz interior e de graças.
Não é este acto que me impressiona, mas é a força viva da fé que move milhares de pessoas, que as faz sair de casa, num dia chuvosa e frio, passar montanhas e vales percorrendo centenas de quilómetros, estar todo um dia a tentar guardar o melhor lugar e exclamar alto, com voz simples, humilde e sincera, voz do povo e de todos… “Olha ali vai nossa Senhora”!
E as lágrimas escorrem-lhes pelo rosto, os lenços brancos transmitem um sinal, de que cada uma delas está ali e assinala a sua presença mostrando que se se despede. Mas não é para sempre. É até um dia. Onde? Só Deus sabe. Um encontro que acaba e começa. Uma fé que se fortalece e se transforma.
No meio desta multidão é impossível estar imparcial e não sentir nada. É impossível não haver comoção e não transpor interiormente a vida à grandeza de Deus. É impossível não sentir como somos fracos e pequeninos e que o que queremos é ser acolhidos e fazermos parte de um encontro. Como é este encontro? Cabe a cada um de nós descobrir. Mas será mais fácil se vivermos cada dia da nossa vida com a certeza que quem a Deus tem nada lhe falta, pois só Ele basta.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Milão

Todos os continentes reunidos e unidos com um destino: a paz entre as nações. Como é isto possível? Milhares de jovens deixam tudo para trás e decidem passar o ano em oração. Deixam as discotecas, os amigos, a família, o champanhe e as passas… e decidem ir ao encontro.
Ao encontro do mundo, numa cidade europeia, ondas as culturas, religiões, raças, cor e língua se unem para celebrar a vida, orar pela paz e entregar-se mutuamente ao desconhecido.
Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro da paz… como são belos os olhares sobre o mundo dos mensageiros da paz… como são belos os sorrisos que trocamos entre nós para espalharmos a paz. Foi isto que ocorreu em Milão nos últimos dias do ano passado e durante a passagem para este novo ano.
Partimos ao encontro do desconhecido que nos abre uma porta e nos deixa entrar, nos oferece uma cama e uma bebida quente, nos abraça e acolhe e nos envia com um acenar de mão dizendo até sempre, até nunca mais.
Durante esses dias, milhares de jovens, sem nunca se terem visto, cruzam-se para partilhar o pão, para rezar, para sorrir, rir, abraçar… soltar a força de Deus que paira nas nossas vidas e habita nos nossos corações. Foram ao encontro e desencontraram-se, estenderam a mão e antes que pudessem dizer “olá” eram acolhidos, tentaram trocar palavras na língua daqueles que os acolhiam e um sorriso tornou-se poliglota.
Mas principalmente quiseram fazer uma manifestação pelas ruas, transportes, famílias e paróquias hasteando a bandeira da paz e da união entre todos os povos. Quiseram dizer que a paz é possível e que basta um pequeno passo de cada Homem e Mulher na Humanidade para que isso seja real e perpétuo.
A paz, o amor, a comunhão, o encontro com os mais desfavorecidos e o encontro connosco próprios é possível, e mais uma vez o provou a comunidade de Taizé.
Tornar a casa, é tornar vivo e actual no nosso dia-a-dia esta mensagem: que cada momento de vivemos não voltará mais, mas irá valer uma eternidade.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Um povo que procura...

Foi só no mês passado, que uma multidão de centenas de portugueses percorreram algumas avenidas da nossa capital, expressando um sentimento único de fé, esperança e desejo de ir ao encontro com Deus. Fui uma manifestação de fé, única nos anos que nos antecederam.
Há bem pouco tempo, não sendo um caso de rara excepção, um povo foi ao encontro das suas necessidades e do seu bem-estar na fé católica e encerrou um sacerdote, não o permitindo sair da sua Igreja.
Um mesmo povo que segue a Jesus pelas ruas de Lisboa, anunciando uma nova evangelização e tentando um novo conceito de encontro de Cristo Vivo com a humanidade, um povo da mesma seiva não percebe que Deus vem para todos e que ninguém é de ninguém, mas sim está ao serviço da construção de um mundo melhor, mesmo que para isso peregrine hoje aqui e amanhã acolá.
Mas também é este povo que parece assistir, impávido e sereno, à notícia que os crucifixos sejam retirados das escolas públicas, pertencentes a uma república e a um estado que deve ser laico, sem qualquer relação com nenhuma religião.
É certo que um estado republicano deve ser laico e acolher a todos por igual, mas também é certo que a cultura e a identidade de um povo passa pelo seu passado e pela sua tradição. É certo que todo o estado goza as interrupções religiosas do nosso calendário baseadas na tradição cristã do nosso povo. É certo que as nossas escolas laicas, as nossas repartições públicas, as nossas cidades republicanas se enfeitam, com luzes e presépios, fazendo representações vivas, para lembrar a quadra do Natal que celebra o nascimento de Jesus Cristo, que celebra a humanização de Deus junto do Seu povo, que é uma festa por excelência dos cristãos.
Se queremos ser livres e independentes, teremos de nos afirmar com o que é nosso, com a nossa identidade e cultura. Temos um passado enquanto nação. Temos um encontro com homens e mulheres que deram nome ao nosso passado e prevalecem pelo futuro. Queremos inserir-nos numa Europa que quer ser renovada mas que não pode apagar a sua identidade, a sua cultura e o seu passado. Um estado é laico. Não tem religião. Não aceita uma fé estatal. Mas ergue em pedestais pelas suas cidades, símbolos do passado. Ergue figuras que marcaram épocas. Também a figura de Jesus Cristo é histórica. Alguém que nasceu, viveu e morreu. Deixou uma mensagem. Entende-la, cabe à fé de cada católico. Mas lembra-lo como homem não faz mal a ninguém.

domingo, novembro 13, 2005

A igualdade na diferença…

A sociedade não se encontra, não se conhece, não aceita a diferença. O mundo está à beira de entrar por uma caminho de caos e influências por parte dos mais poderosos. Os últimos dias em França mostram-nos que todos somos vulneráveis e que todos temos o direito à aceitação, à igualdade, à diferença e ao encontro de culturas e crenças.
O ser humano é algo maravilhoso de mais para ser abatido e reprovado. Mas estamos cada vez mais a distanciarmo-nos dos valores de união e gratidão, de paz e concórdia, de amor entre todos.
A vida parece que não vale nada e que, como dom maravilhoso que nos foi concedido, é posta à margem de um desencontro total.
A Europa que se quer agregada desencontra-se dos valores ocidentais e europeus de cidadania, históricos e concretos do passado. Nada valem as cimeiras de paz, os pedidos de perdão às dívidas dos países mais pobres, os pedidos de justiça e fraternidade... Os homens e mulheres que encabeçam a luta pelos desfavorecidos são considerados heróis mas depressa o mediatismo que os eleva também os segrega e abafa.
As pessoas, os actos e as palavras em prol da humanidade são um encontro total com os valores do ser humano, como individuo integro e completo, sinal da vida e do dom que Deus trás à humanidade.
Um encontro com os desfavorecidos, os emigrantes, os que falam outras línguas ou têm a cor da pele diferente da nossa deve ser a bandeira da nossa existência… de cada ser individual e do grupo humano como um completo de saberes e de intenções de paz e bem.

Se assim tentarmos viver este mundo será mais justo e solidário e tornar-se na terra uma amostra do céu.

terça-feira, agosto 16, 2005

Parar e descobrir

que a natureza é perfeita e que fomos criados por um Ser superior a tudo e a todos e que nos deixou livres para optarmos o caminho a percorrer. Mas muitas vezes a natureza prepara surpresas e teremos de estar preparados para aceitar os designios de Deus. Quando surge um problema tentamos evitar as consequências e pensamos que a nossa vida está sem saída e esquecemo-nos de que Deus nunca nos abandona. Tentamos todas as saídas menos as mais obvias.
Há um conto que diz mais ou menos o seguinte: Um homem está a afugar-se e rejeita todas as ajudas humanas (um barco, um colete salva-vidas, um helicoptero) argumentando que Deus o irá ajudar. Entrentanto o homem morre e quando chega junto de Deus pergunta-lhe porque é que não o ajudou naquele momento dificil. Deus responde-lhe que lhe mandou todas as ajudas e o homem é que não as soube reconhecer como uma bênção.
Certo dia disse Cristo a Pedro para ir ao Seu encontro caminhando sobre as águas. Quando Pedro caminha sobre as águas começa a ter medo e a afogar-se. Cristo diz-lhe para não temer, manter a fé e ir ao Seu encontro.
Na nossa vida quantos momentos destes não acontecem? Achamos que o mundo termina e todas as opiniões são no sentido contrário à nossa consciência. Mas se todas as opiniões apontam numa direcção, então Deus tem de estar presente naqueles que nos indicam esse caminho.
Então temos de avançar sem medo e tranquilos. Conscientes de que nunca estamos sozinhos. Que o que está predestinado para a nossa vida seguirá o rumo certo.
Os verdadeiros amigos nunca falham.
Um obrigado a todos

terça-feira, julho 19, 2005

Formar e Informar
Todos temos consciência de que para sobreviver precisamos de estar informados e bem formados de modo a respondermos às solicitações da sociedade. Mas nem sempre estamos preparados para partilhar com fundamento as nossas opiniões de modo a colaborarmos na construção de um mundo com alicerces bem implantados.
Todos devemos construir uma opinião com base nas descobertas que fazemos, no entanto, enquanto crianças, adolescentes, jovens e adultos temos a oportunidade de partir à descoberta de novos saberes e de orientar a nossa vida numa cruzada de encontros e desencontros com as ciências que nos regem.
Essa oportunidade é-nos dada com a vida que temos. Mas será que a aproveitamos? Será que encontramos a nossa orientação para uma melhor formação e capacidade de estarmos informados?
Numa pequena estória talvez encontremos a razão pela qual as crianças e os adolescentes de hoje não encontram orientação para partirem à descoberta dos seus sonhos. Uma criança de pai incógnito ou de quem não se sabe o paradeiro e a mãe incapacitada mentalmente de orientar as suas crianças. Vive com uma avó que não sabe ler nem escrever e que representa na escola o encarregado de educação que é um familiar que vive longe e mal aparece para se encarregar da educação daquela criança.
Quantas famílias não são assim? Quantas crianças não vivem desencontradas dos seus encontros?
Não é possível construir uma sociedade alicerçada na formação e na informação quando se permite que uma criança cresça sozinha sem um apoio salutar dos mais próximos e se permita que apenas a escola e alguns dos seus intervenientes façam o trabalho todo.
A sociedade e toda a comunidade educativa têm de intervir activamente no crescimento de todos os cidadãos, mas também é necessário que os mais próximos de cada um tenham um papel preponderante na construção de um mundo melhor. Se esses não estão capacitados então teremos de reformular as nossas escolas, o nosso ensino e os docentes terão de se ocupar, num regime de tutorado, de alguns casos mais desfavorecidos de modo a que as crianças e os adolescentes aprendam a sonhar, a crescer, a viver e a procurarem a sua formação com coerência e sedimentada na rocha e não na areia.
Por vezes alguém diz que estamos perante uma “geração rasca”. Talvez não seja esta geração que é rasca por natureza, mas são os mais velhos que se esquecem que eles existem e que precisam de encontros e desencontros para aprenderem que a vida é bela e não vale a pena desperdiçá-la.

sábado, julho 09, 2005

Julia Navarro termina assim o seu primeiro romance “A irmandade do Santo Sudário”: "...sabendo que ninguém controla o passado, que não o podemos modificar, que o presente é um reflexo do que fomos, apenas isso, e que só há futuro se não recuarmos um só passo."

Esta ideia identifica de uma forma simplificada a razão de viver de cada dia. Enquanto nos for permitido acordar de manhã e partir à descoberta de um novo dia...de novos (des)encontros, temos a possibilidade de tornar este mundo mais justo e solidário. Niguém consegue modificar o passado e o que está feito, feito está, no entanto deve servir para prepararmos um futuro melhor no qual não tenhamos necessidade de repensar nas estratégias. Enquanto nos for permitido acordar neste mundo devemos sair à rua e não ter medo da vida, mesmo que existam indivíduos que se julguem superiores e que queiram fazer com que uma sociedade sólida de desagregue e fazem com resultem as intenções do 11 de Setembro, 11 de Março ou o 7 de Julho. Muitos de nós temos alguém superior com quem nos identificamos e com quem travamos encontros diários e imediatos numa constante acção de graças pelo dom maravilhoso que é a vida. Talvez nos seja possível viver com os infurtuitos da sociedade. E se acreditamos nunca duvidemos que Ele está sempre connosco. Saber viver é conseguir ultrapassar as vicissitudes da vida, fazer de cada dia um reflexo daquilo que somos e olhar para a frente sem medo de avançar e tomar decisões.

sexta-feira, julho 01, 2005

Aprender a dizer adeus...
Quando se deseja uma coisa, tem-se que renunciar a outra. Quem sabe se viver em plenitude não é uma despedida contínua do que fomos para acolher o que seremos.
Quando deixamos de ser crianças despedimo-nos do rapaz e da rapariga para dar as boas vindas ao homem e à mulher, o que constitui um acto de amor e generosidade. Faze-lo na nossa própria juventude para acolher o amadurecimento é sinal de reconhecimento do nosso próprio processo vital.
Terminar uma relação com um amigo, um companheiro, alguém que nos é íntimo, é ter aprendido a querer-se e a proteger-se a si próprio, para desfrutar daquilo que a vida nos pode dar.
E aquela relação pode ser familiar, íntima, social, profissional, religiosa...
Quanto maior for o conhecimento de nós próprios, quanto maior for a nossa capacidade de amar quando valorizamos o outro sem nos confundirmos com ele, quando não lhe exigimos mais do que aquilo que pode dar, quando reconhecemos quem nos faz mal e somos capazes de tirá-lo da nossa vida, temos amadurecimento para ir ao encontro de novas prespectivas e de talvez de novos desencontros com a vida e com os outros...